5 Dicas Para Lidar Com A Ansiedade (E a Minha História)

O mês de Outubro já chegou — damos as bem-vindas a uma nova estação e marcamos o inicio do mês internacional de prevenção do cancro da mama. É uma oportunidade importante para podermos partilhar as nossas histórias, abrirmos os nossos corações e falar dos nossos próprios desafios. As vítimas de qualquer doença, seja física ou mental, são corajosas e valentes, ainda mais quando contam as suas histórias inspiradoras dos momentos mais escuros da vida. É uma viagem diferente para todos nós, com certeza. Em homenagem a este mês, eu queria escrever este post e desafiar-me a mim própria a abrir e partilhar um pouco da minha história com ataques de pânico e ansiedade. Quero transformar os meus momentos sombrios (sobre os quais eu nunca falei) em algo útil e positivo e partilhar 5 dicar para lidar com a ansiedade quando passo por momentos mais difíceis na vida!

5 Ways I Deal With Anxiety

+ FALAR COM ALGUEM

Quando eu era pequenina, passei por vários períodos (por volta dos 9 aos 11 anos), onde comecei a ter ataques de pânico e ansiedade, desencadeados à noite. Costumava chamar a minha mãe ao o meu quarto, já depois de me deitar na cama e o ataque era sempre o mesmo: o coração acelerado e uma sensação de pensar que estava a morrer. Hiperventilava, fechava os olhos e agarrava-me à mãe como se não houvesse amanhã. Era tão aterrorizante, especialmente para uma criança que não tinha idéia do que é que era o pânico ou a ansiedade e era ainda muito nova para poder entender que a origem do problema era o que estava acontecer na vida familiar. Noite após noite, se relaxava os meus braços no peito, entrava logo em pânico porque era assim que imaginava que colocavam as pessoas nos seus caixões. Sentia o meu coração a bater e ficava com medo de o sentir parar. Enfim, coisas horríveis deste género. Foi tão pesado e ainda hoje custa-me muito escrever sobre este tema. Estas foram os primeiros ataques de pânico e ansiedade que tive. Uma das coisas que me acalmava (e ainda hoje ajuda muito) era falar com alguém. Quando sinto-me vulnerável e no precipício da ansiedade, conto logo ao Rodrigo ou aos amigos e familiares mais próximos. É importante que sejam pessoas pacientes e compreensivas, pois a prioridade é que sejas apoiado num momento sensível. Alguém no meio dum ataque de ansiedade está realmente lá. Não podem controlar facilmente as emoções nem as percepções das coisas. Os sentimentos e pensamentos distorcem-se pela sensação avassaladora de energia nervosa e ansiosa. Já que uma vez é difícil estar nesse lugar, é importante ter pessoas de confiança à tua volta. Mesmo que não consigas exprimir exatamente o motivo pelo qual estás ansioso/a, basta só contar que estás a passar por um ataque de pânico ou ansiedade. É um bom começo e sentirás menos sozinho/a.

+ CRIATIVIDADE

Um dos recursos mais importantes que uso quando estou ansiosa é a criatividade. O corpo e o cérebro estão num lugar tão estranho quando estou em tal estado de espírito que muitas vezes ajuda-me só agarrar na guitarra e tocar, escrever uma música, fazer anotações, fazer crochê (haha, a sério)! É uma simples distracção e ajuda a distanciar a montanha-russa de sentimentos de medo, desorientação e solidão. Visualizo a minha ansiedade e o pânico como energia extra a fluir pelo meu corpo e mente que precisa de um canal para escapar. Precisa de ser através dum um método saudável, se não estás simplesmente a adiar o problema e depois é pior! Tive um ano terrível de ataques de pânico em 2012 (houveram grandes mudanças de vida naquele ano). O meu pai contou-me que tem um mantra que ele repete para si mesmo quando está em “overdrive” também. Não me lembro o que era, mas o meu é dizer as frases “está tudo bem. estás bem.” baixinho e ritmicamente. Ajuda-me a controlar a respiração também enquanto falo através das frases. Deixa a energia sair como quiser, eu sei que é um momento assustador e uma experiência terrível, mas é o caminho para limpá-la completamente.

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+ DESCOBRIR AS ORIGENS DOS ATAQUES

Entender o que dispara a tua ansiedade ou pânico é mesmo importante. Uma vez que aprendi o que desencadeia os meus ataques (para mim é a exaustão, sobre-estimulação/stress prolongado), comecei a poder evitá-los completamente. Os ataques que eu tive quando era pequenina foram todos relacionados à energia da família, a vida em casa e tudo aquilo que eu estava absorvendo subconscientemente mas não conseguia entender conscientemente. Manifestei tudo em ataques de pânico e ansiedade. Depois percebi e aceitei tudo mais tarde e fechei esse capítulo. Passei muitos anos sem ter outro período de ataques porque estava distraída com a minha adolescência, a música, rapazes, amigos e a descobrir quem eu era. Em 2012, saí duma relação tóxica (do género.. ele era possessivo, controlador, não confiava em mim, etc.) e comecei a lidar com as consequências de estar exposta a esse tipo de esgotamento mental e físico. Não foi apenas a separação em si, mas também foi o preço a ser pago por passar um ano (de um relação de 4 anos) a tolerar esse nível de toxicidade e intensos altos e baixos. Paguei esse preço. Fiquei muito doente um mês após a separação e fui hospitalizada por um dia ou dois para fazerem testes. Estava convencida de que havia algo grave a acontecer. Afinal, tudo voltou completamente normal. Não tinha nenhuma infecção pulmonária, apesar de ter a pior tosse de sempre. O meu coração estava bem e o sangue também. O meu diagnóstico foi exaustão extrema. Ao longo de 2012, estava em turnê para a música “Girlfriend” com muitas viagens noturnas e apresentações de discoteca, comecei uma relação em circunstâncias novas e estava a trabalhar para fazer o luto e fecho da última relação. A primeira viagem à Ásia, para tocar no YouTube Festival em Singapura, foi o meu momento mais baixo. A minha exaustão foi amplificada pelo jetlag brutal de 8 horas e estava completamente fora. Durante muito tempo, não conseguia nem pensar ou falar sobre essa viagem sem imediatamente provocar sentimentos de ansiedade. Acho que 2012 foi a primeira vez que tive outro encontro mesmo sério com pânico e ansiedade já na vida adulta. Tive uma conversa comprida com o Rodrigo (amor da minha vida, papá da Zoe que ficou ao meu lado através disto tudo com amor e paciência) e ele encorajou-me a arranjar uma terapeuta para me acompanhar e trabalhar comigo nesse momento mesmo escuro.

+ TERAPIA

A terapia mudou a minha vida. De início, era esquisito falar com alguém desconhecido e contar-lhe quem pensas que és, as histórias da tua vida, as tuas intimidades e os teus pensamentos. Tinha medo de ser julgada, ou de ela pensar que estava louca e prescrever-me logo qualquer coisa e mandar-me para casa. Não queria que fosse esse o resultado da minha tentativa de ir à terapia. Desejava mesmo chegar ao fundo do que me estava a causar todo este traumatismo. Sentar uma vez por semana para simplesmente falar e abrir o coração com ela foi a experiência mais curativa para mim. Foi mesmo refrescante. A tal ponto que sinceramente não acredito que todos nós não temos um guia/terapeuta em quem confiamos para nos sentar uma vez por semana e trabalhar os nossos assuntos pessoais, coisas que realmente podem ser facilmente resolvidas em vez de ficarem ali a remoer e a causarem problemas com os nossos queridos amigos, familia e nós próprios. Não consigo perceber este estigma/tabú dos terapeutas ou de precisares de alguém que não seja amigo ou familiar para desabafar. É que não temos problema nenhum em partilhar que temos uma consulta médica, ou que temos dores de cabeça, que doem as costas ou que, de alguma forma, estamos a cuidar da nossa saúde física. As pessoas têm mesmo de acordar para a vida: A saúde mental faz parte da saúde física e é TÃO IMPORTANTE. Sou uma defensora da terapia e sempre serei porque tenho experiência própria de como, pelo menos para mim, ajudou-me muito e pode alterar totalmente o curso da tua vida. Não estou a falar daquela terapia clichê do cinema. Estou a falar de dedicar uma ou duas horas da semana para sentar e dar uma olhadela à tua vida inteira com alguém imparcial que te pode ajudar a entender certas coisas de outra maneira, ver coisas que talvez não tenhas visto antes, manter-te o foco nos os teus objetivos e desabafar sem medo de ser julgado/a. Resolvi muitos dos meus problemas de agressão que aprendi na minha última relação, bem como outros hábitos desagradáveis ​​que percebi ter aprendido com as atitudes dos meus pais quando era mais nova. Encontrei muita paz e claridade e cheguei a conclusões realmente importantes sobre a maneira como eu encaro a vida e os meus próprios comportamentos. Encontra o terapeuta certo e o dinheiro será o melhor que já gastaste na tua vida. Não deixes que os tabus e as opiniões sociais te atrapalhem. Alguns dos meus familiares não conseguiam entender bem a necessidade, ou não acreditam “nesse tipo de coisa” e isso é perfeitamente aceitável para mim. Os outros têm também as suas próprias maneiras (muitas vezes realmente pouco saudáveis) de lidar com a vida, os medos e coisas tóxicas engarrafadas que eles têm que enfrentar. Deixa-os fazer o caminho deles, e faz tu o teu!

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+ DEIXAR FLUIR

Às vezes, o mais importante é deixar as coisas fluir e aceitar que nem sempre vamos poder controlar tudo. A quantidade de energia que gastamos durante uma fase de pânico ou ansiedade é monumental. Mas, com as ferramentas certas e o positivismo, prometo que as coisas vão melhorando ao longo do tempo. Às vezes, o causa é algo que pode ser distanciado, às vezes estás exposto a ela diariamente no trabalho ou em casa. Nunca é fácil, mas é possível controlá-lo e evitá-lo eventualmente. Outras sugestões são: meditação, chá de raiz natural de Valariana (eu prefiro as cápsulas) e tudo mais que podes fazer de modo seguro para ajudar a acalmar o corpo e descansar. No final do verão, perdemos um membro da família duma maneira muito trágica e desencadeou uma semana de ansiedade e ataques de pânico para mim que enfrentei usando todas estas ferramentas.

Partilhar as tuas histórias pode ser uma mudança positiva tanto na tua vida como na vida de outra pessoa. A tua história inspiradora pode ser a força ou a consolação de outros no mesmo lugar sem voz nem forças para falar. Pode ser o suficiente para motivar alguém a falar e resolver os seus problemas e espero que minhas histórias e dicas pessoais sejam construtivas e positivas.

E vocês? Já passaram por algo parecido? Qual é uma causa importante para vocês? Não se esqueçam de deixar um comentário abaixo com mais conselhos, tudo ajuda! Obrigada por acompanharem tudo aqui pelo blog e passem aqui pelo Instagram para dizer olá!

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3 Comments

  1. Outubro 7, 2018 / 5:51 am

    This is just amazing. Reading about this topic makes us feel stronger and understand we’re not alone. Sometimes we look around and see our friends and family and in our head everyone looks so “normal” we tend to think we’re the stranger one. I’ve been to therapy when I was 8 yo because I had some episodes I felt like I was “out of our reality” and I thought I’d die (same symptoms you described: accelerated heartbeats, unexplained fear, etc). I had no clue what anxiety and panic attacks were and it was so hard to manage this by myself that when I started doing therapy I felt so safe I can’t describe.
    In 2013 I broke up with my ex girlfriend while I was leaving in Argentina (she’s Brazilian) and I realized a lot of the symptoms started again. She didn’t allow me to feel (at all) when I was with her because she’s controlling so much whatever I was doing that when we broke up everything exploded. One again, I went to therapy and that helped me so much growing as a person and that’s when I started identifying the triggers. She helped me understanding what and which situations would make me feel that way (which’s basically caring too much about things I don’t have control over, like trying to help people when they’re not ready / willing to be helped yet and I’d feel their pain and that would kill me inside and too much work was also stressing me out) and she taught me how to put limits on those things. That was a game changer. I was 24 yo 5 years ago and live and learn every day. I had tough days after that, for sure but every day I am learning something and if you don’t mind, I’d like to share a little bit about the tips and tricks I’ve been discovering:
    – I am from Brazil but I live in Canada. I’m used to being outside seeing people and interacting with everyone basically. Winters can be tough in Toronto and it’s hard to leave your apartment when it’s -30 Celsius. Push yourself to! (With a little help haha) I took vitamin D during my whole winter and that was THE game changer. I know everyone is different but trust me, it’s the “chemical” part of your happiness and it will motivate you to go jogging on a gray snowy day.
    – I play the guitar for over 20 years and that’s one of my therapies. Again, everyone is different, but find something that you can connect with yourself and there’s no one else to interfere.
    – Hungover are your enemy. If you want to overdrink, take a pill of vitamin B before starting, research about it but long story short, your liver stops producing some substances when you’re drinking a lot and vitamin B will help keeping the production.
    – Eat well. You’re what you eat. Start observing your behaviours after you eat and start eating more the food that makes you feel good. Of course, I’m not a nutritionist, so balance all the proteins, carbs and whatever.
    – SLEEP. That one explains itself 🙂
    – Meditade, even if it’s by yourself. Download an app, but find 5 minutes a day just to listen to your breathe. That’s helps me in a way I can’t explain.
    – Last but not least, exercise! I hate going to the gym. I really dislike it, but I bike on sunny days, I indoor swim on rainy days… etc

    And one last thing that’s a game changer for me as well, if you want to be with someone, look for a person that will “add” to your happiness, not complete it. You need to be complete by yourself!

    Be happy! Thanks for letting me share and open myself for the very first time, Ana! I’m a HUGE fan of your hard work! Keep it up and thanks for showing to the world they’re not alone!

    Beijos à família! Seu marido parece ser uma excelente pessoa e você tem a filha mais linda do mundo!

    • Ana Free
      Autor
      Outubro 7, 2018 / 4:10 pm

      Hi Rafael! Obrigada pelo comentário! É tão bom poder partilhar estas coisas! Your story is definitely similar to mine and I’m so glad you used all the positive resources you had to understand your triggers and such. Each phase is different – definitely the attacks I had as a child felt different to the ones I tried to reason my way through as an adult. All of them were intense and hard but solvable with hard work, tears and courage! Thank you so much for sharing your journey with me here, really, it means so so much. Your tips are great too! I’ll have to look into them for sure 🙂 Beijinho grande e desejo-te muita sorte na vida! X

  2. Grace_77
    Outubro 7, 2018 / 9:02 pm

    Gosh Ana.. thanks for sharing this post. It’s really something special to know others have succeeded in overcoming their challenges and stuff. You’re amazing lady!! xx

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A little about me…

Hello there! I’m Ana Free, s’nice to meet you! Thanks for stopping by my lifestyle and mommy blog! I’m mama to a gorgeous baby girl called Zoe as well as a four-legged rescue pooch called Indie and wifey to an Argentinian music producer hunk by the name of Rodrigo (but since that’s too long I always call him Rod haha). I love music, writing and singing songs, traveling, doing my makeup, taking photographs and spending time with my family. The craziest thing I’ve ever done is skydive and the most embarrassing was probably when I peed in protest on the floor in ballet as a child because the teacher wouldn’t let me go to the bathroom (seriously, when a 6 year old says they need to go, you gotta let ’em)!

As with most creatives, it seems I have a million and one passions and this space is where I get to write, share, ramble and post whatever comes to mind in my world. It’s really just all things casual, travels, mama+baby, fashion, makeup, style and me.